
1956 - Nasce no bairro do Bràz, em Sao Paulo, sob o nome de Maria Izildinha Possi - uma promessa de sua mae à Santa Izildinha
para que lhe desse uma filha de cabelos lisos.
Por imposiçao da famìlia, que queria vê-la pianista clàssica, Zizi começou a estudar piano aos 5 anos, deixando o instrumento
12 anos depois.
1978 - Resolveu seguir os passos do irmao - entao professor de teatro na Universidade Federal da Bahia - e mudou-se para
Salvador. A cantora começou a dar aulas de teoria musical para filhos de prostitutas e crianças do pelourinho, ingressou no
curso de musica da Universidade Federal e começou a cantar cançoes românticas de Roberto Carlos e Erasmo Carlos em barzinhos.
Dividida entre a musica e o teatro, participou também de pequenos espetàculos na capital baiana, como "Marilyn Miranda",
no qual atuava, cantava, tocava piano, além de ter feito as cançoes.
Esse espetàculo foi o trampolim para que iniciasse sua carreira no sul. Mudou-se para o Rio de Janeiro e foi chamada pelo
musico Roberto Menescal, que a conhecera na Bahia, para gravar seu primeiro disco "Flor do mal".
1979 - No mesmo ano, surgiu o convite para participar da montagem da peça "Òpera do malandro", de Chico Buarque
e Ruy Guerra, cantando "Terezinha". Zizi recusou-se por estar às voltas com a gravaçao do seu disco, màs acatou
o convite de Chico e fez um dueto com o compositor em "Pedaço de mim", em 1979, tornando-se assim conhecida nacionalmente.
Perfeccionista, a cantora, que é ariana com ascendentes em escorpiao, nao se sentia madura, na época para fezer shows-solo.
Sua estréia no palco somente ocorreu com o segundo disco, "Pedaço de mim", em um show que percorreu vàrias cidades
do Brasil e da América Latina.
O disco, que tràz versoes personalissimas de antigos sucessos, como "Nunca", de Lupicìnio Rodrigues, e "Luz
e mistério", parceria Caetano Veloso e Beto Guedes, marca a busca de Zizi por um caminho pròprio.
1980 - A cantora, embora tenha se deixado levar na década de 80, pelo artificialismo pop das baladas e "roquinhos"
feitos sob medida para as FMs, sempre procurou imprimir em seu trabalho a marca de sua personalidade musical, com interpretaçoes
densas e refinamento instrumental.
Dona de uma voz privilegiada de soprano, Zizi conseguiu dar uma marca pròpria às interpretaçoes de "Meu amigo, meu
heroi", primeira das muitas cançoes de Gilberto Gil que gravou; ou ainda, "Eu velejava em voce" de Eduardo
Dusek e Luiz Carlos Goes, entre outras.
1982 - O sucesso chegou em 1982, com a mùsica "Asa morena" -Zé Caradipia -, que batizou um dos discos de maior
vendagem da cantora e foi responsàvel por seu primeiro disco de ouro. Para o mesmo disco, Zizi ganhou de presente do amigo
Gonzaguinha, o samba "Viver, amar,valeu", que a cantora cantou em ritmo sincopado e lento, ressaltando a densidade
dos versos.
1983 - Outro salto de qualidade, foi proporcionado novamente pelo padrinho Chico Buarque, que a convidou para participar
do disco "O circo mìstico", em parceria com Edu Lobo. Zizi interpretou a faixa titulo. Tao dilacerante quanto "Pedaço
de mim", essa cançao, que aborda o sobrenatural e o universo mìtico do circo, é até hoje um dos momentos emocionantes
de Zizi.
1984 - O ano seguinte marcaria o nascimento de sua filha e, para homenageà-la, a cantora gravou "Luiza", clàssico
de Tom Jobim, que leva o mesmo nome dado à criança, no deisco "Dê um rolê".
A faixa titulo, gravada por Gal Costa em 1971, ganhou roupagem mais moderna, o que causou certa polêmica entre os criticos,
que tacharam de comercial sua versao.
Zizi sempre esteve antenada à sua geraçao musical, gravando musicas de Djavan - Meu bem querer -, Marina Lima - È a vida
que diz e Pra sempre e mais um dia -, Lulu Santos - Como uma onda e Tempos modernos -, Joao Bosco - Papel Marche -, que graças
à sua personalidade musical ganharam novo formato.
1990 - No inicio dos anos 90, Zizi gravou "Estrebucha baby", "rejeitado" pela critica e, "cultuado"
por seus fâs, este disco foi algo como um "divisor de àguas" em sua carreira, que viria a mudar radicalmente a partir
de entao. O disco teve como destaque a mùsica "Meu erro" do Herbert Vianna, numa versao sofisticadamente arranjada
somente ao piano. "Dedicado a voce" - Dominguinhos e Nando Cordel -, com um arranjo desprovido dos sons eletronicos
que fizeram parte de sua trajetoria musical.
Algo neste disco jà nos revelava que uma "nova" Zizi estaria por vir. O cansaço da estetica pop, que dominara
sua obra até entao, e o rotulo de cantora de excelente recurso vocal, porém de repertòrio excessivamente comercial, fizeram
com que Zizi aregaçasse as mangas e desse a grande virada em sua carreira.
1991 - A cantora saiu da gravadora Polygram, voltou a Sao Paulo para ficar mais perto da famìlia, e começou a ensaiar
um novo espetàculo, totalmente diferente dos que jà fizera, com uma nova formaçao de banda, marcada por instrumentos acùsticos.
"Sobre todas as coisas", teve também a direçao musical e a concepçao dos arranjos de Zizi. Com ele a artista percorreu
o Brasil, a Europa e o Japao.
O espetàculo foi a base para o disco homônimo lançado neste memso ano, e gravado ao vivo em estudio". Zizi e os mùsicos
atuaram simultaneamente, como em um show. O refinamento na concepçao e na produçao desse trabalho deu a tônica à obra de Zizi
desde entao. Sem o apoio da màquina das grandes gravadoras, a cantora tomou as rédeas de sua carreira, tornando-se produtora
independente.
Màs nem por isso deixoude de ser reconhecida ou de ter sucesso. Sua nova fase, em que é aclamada como uma cantora "cult",
arrebanhou novos fâs, mais sofisticados e exigentes. O caminho aberto por ela com este disco, foi seguido por muitos grandes
nomes da MPB - Gilberto Gil, Ney Matogrosso, Gal Costa, entre outros -, deflagrando a onda dos discos acùsticos.
1993 - Essa opçao foi mantida no elogiadissimo disco "Valsa brasileira". Para o repertòrio, Zizi voltou a pescar
pérolas da MPB, como os sambas "Escurinho e Escurinha" - Geraldo Pereira-, "Modinha" - Tom Jobim e Vinicius
de Moraes -, e "Se queres saber" - Saint Exupery -, entre outras.
Mais autoral ainda, Zizi, que contou com apenas três mùsicos e poucas semanas de estudio, se faz presente em ada detalhe
das obra, tornando esse disco extremamente orgânico, como uma peça de teatro, em que o diretor imprime sua marca. Resultado:
Zizi voltou a emplacar vendagem de discos e foi convidada a retornar à antiga gravadora, dessa vez impondo a forma que deseja
para sua carreira.
1996 - Lançou o disco "Mais simples", onde voltou a mostrar sua maturidade musical. Gravado com requintes de
produçao em um estudio da Noruega, trouxe composiçoes de nomes novos como Lenine, Chico César, Itamar Assumpçao, Herbert Vianna,
aliados à clàssicos de Heitor Villa-Lobos, Noel Rosa, e Nelson Cavaquinho. O maior destaque é a parceria entre a poesia do
musico José Miguel Wisnik - que assina tres cançoes, entre elas a que dà noem ao disco - e a voz de Zizi. Parceria este definida
pela cantora como "um encontro de almas gêmeas".
1997 - Os planos de Zizi para o futuro incluìama gravaçao de um disco somente com cançoes napolitanas - em seu ùltimo
show, jà manifestara essa vontade ao incluir ao repertòrio a mùsica "Vurria", - uma homenagem ao seu avô, que se
emocionava até as làgrimas ao ouvi-la, entao com apenas 5 anos de idade, tocar ao piano cançoes de sua terra.
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